Monday, February 9, 2026

 


MANHÃ DO VELHO

         Francisco Miguel de Moura*

 

Seu hemisfério de hoje é tão estreito!

Olhar cansado, sem leitura à vista,

Não percebendo nada, em longa pista

Que dá, ao mundo, uma paixão sem jeito.

 

Pensar o quê, da vida? E aporrinha

Por quase nada, de manhã à noite,

O menor vento lhe parece açoite,

Se não pode correr... Inda caminha.

 

Por mais que obrigação, fala à vizinha,

Com uma cachorra, feita sua filhinha,

O bom dia é forçado e nada é novo.

 

O dia, então,  se fecha sem beleza,

Pois quem é triste só lhe traz tristeza

E quem é velho, finge... E não é povo.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta do Brasil.

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