CONVERSA
DE POETA
Francisco Miguel de Moura*
Vim
do século passado e aprecio o presente
Cheio
de invalidade. E as dúvidas, semeio.
Sem
nada ao nascer. Perguntam-me: E a que veio?
E
eu respondo: - Tudo além do que a alma
sente.
Pra
ser um bom poeta, além do que é servido
A
uma jóia de Deus, clamando para o amor
Tenho
horror ao frio e o frio é meu pavor.
Guardo
minha letra bem dentro em ouvido.
Sofrer,
sofremos todos, a marca do Criado,
Para
viver sorrido invento o meu calor.
Que
mais quero de Deus, se ainda sou feliz ?
Nada
de hipocrisia. Quem não gostar de mim,
Longe
de mim eu vejo o ontem, o hoje até o fim,
Pois,
sendo como eu sou, ninguém é meu juiz.
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*Francisco
Miguel de Moura, poeta brasileiro.

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